A Cumbuca conta agora com um canal no youtube: www.youtube.com/cumbucafilmes
Lá encontramos os filmes realizados pelas diretoras Martina Dreyer e Renata Heinz e pela Cumbuca Filmes. A idéia é ir adicionando trailers de novos trabalhos como também, matérias interessantes sobre o trabalho da produtora e filmes realizados em anos anteriores. Isso é uma amostra de evolução, trabalho e coêrencia dentro de uma proposta. Também tem a clara visão das dificuldades técnicas que a produção sem incentivos fiscais ou benificiadas por editais enfrenta.
Acesse, conheça e comente alguns trabalhos autorais da Cumbuca!
Assisti o Documentário "BERLIM BRASIL" da Cumbuca Filmes, ontem de noite, na Sala PF Gastal no Gasômetro, Porto Alegre. Simplesmente lindo. O documentário traz aspectos importantes da imigração alemã e das transformações desta peculiar cultura ao longo destes dois séculos de vivência neste nosso Estado, quanto a alguns aspectos que chamam atenção. São eles:
ResponderExcluirEm primeiro lugar da necessidade urgente de se construir uma "identidade própria", escrita e documentada, para este "Alemão do Brasil" criado e cultivado pelos imigrantes ao longo desta sua história local no Estado, como bem aborda e enfatiza a prof. Rosane e o historiador no documentário. Assim como existe um “Português de Portugal”, existe um “Português do Brasil”, e ambos estão corretos, assim existe um “Alemão da Alemanha” e um “Alemão do Brasil”. Este último, então, pertencente a esta cultura local, que como bem se define no filme, de nacionalidade brasileira.
Outro aspecto interessante abordado no documentário é quanto a estes vários “dialetos” surgidos dentro das comunidades de imigrantes alemães que existem na região de Teutônia, Westfália e arredores e de como eles interagem, se fundem e ao mesmo tempo se diferenciam entre si e entre o 'Alemão da Alemanha', este já, em muitos aspectos bastante distante da língua local construída e vivida.
Em seguida o documentário trouxe o aspecto do 'preconceito' que existe quanto a estes vários “dialetos”, seja entre a comunidade alemã local ou mesmo para o povo brasileiro como um todo que, muitas vezes sem muito conhecimento, definem estes “dialetos” como sendo um “Alemão Errado” e da necessidade básica de mudar-se esta visão errônea criando uma “identidade própria” para este “Alemão do Brasil”, aspecto mais importante abordado no documentário.
Outra questão abordada no documentário é quanto ao 'preconceito religioso' que dificultava as uniões amorosas entre pessoas que não pertenciam à religião de nascença destas famílias de imigrantes ao longo da história. Felizmente esta questão, já há algumas décadas, não impede mais a união das pessoas em função da sua identidade religiosa dentro da comunidade alemã local e ou outra comunidade diversa desta, quanto ao aspecto religioso. Infelizmente, quando abrimos o leque para o restante do mundo e suas múltiplas culturas, não podemos dizer o mesmo, visto haverem grandes conflitos e guerras entre culturas que reacendem a todo momento a 'intolerância religiosa' entre os povos, sem precisarmos citar quais sejam elas. Berlim Brasil trouxe também a lembrança dos tempos difíceis do período da Segunda Guerra Mundial em que não se podia falar o “alemão”, sob pena de sofrer represálias e, de como este povo fez para cultivar relíquias, livros e outros pertences que tiveram que ser escondidos para serem preservados, além da própria língua é claro..
Percebe-se no documentário também outro aspecto interessante que é o da beleza da junção e da convivência do 'negro' dentro da cultura alemã local ao longo da história e da sua contribuição para a construção desta língua local, já que muitas vezes eram eles os responsáveis por ensinar às crianças um pouco do “brasileiro”, como falam no documentário.
Muito interessante o documentário, que, na sua não linearidade, permitiu esta diversidade de questões trazidas e discutidas no filme.
Parabéns às jovens diretoras, Martina e Renata, e aos demais integrantes da equipe da Cumbuca, e que tenham muito sucesso na divulgação do filme.
Maristela
BERLIM BRASIL- mais que um achado , se eterniza nesse trabalho de MARTINA e RENATA.
ResponderExcluirRevelador de condição humana e de profundidade existencial nos faz refletir e admirar a cultura dessa colonização.
Estes Alemães, Gauchos, Brasileiros nos surpreendem neste conjunto que não encontra mais semelhança em outra lingua.
Sucesso!