Um homem fabrica um artefato estranho à primeira vista: o sapato de pau, muito usual aos colonos no passado, que com ele aqueciam seus pés. Agora o calçado aparece no jogo de futebol, nas danças... Sapato de pau também é o nome do idioma que este homem fala. Estamos nos referindo a um lugar chamado Berlim, município de Westfália, no interior do Rio Grande do Sul. Poderia ser qualquer lugar perdido no mundo e no tempo, mas falamos de Brasil, completando um quadro da nossa diversidade cultural. Um retrato leve e contemporâneo de uma região onde é possível encontrar dialetos e idiomas germânicos tão específicos que podem não ser compreendidos entre si.
A idéia foi passar longe dos tradicionais documentários sobre colonização e nem sequer ter a pretensão de ser uma pesquisa antropológica ou etnográfica. Enquadrar Berlim Brasil na tradição documentarista brasileira tornaria necessária a abolição do purismo da forma. Qualquer dessas opções implicaria discussões profundas sobre o método de produção, mas podemos afirmar que se trata mais de um retrato da origem das diretoras, na onda dos documentários subjetivos e de tendência autoral, mas sem a interferência direta das mesmas como personagens. A infância ou origem familiar na região se mostra na intimidade com que os assuntos são tratados e na relação estabelecida com os entrevistados.
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